Coisas que você deve saber sobre o Linux

Tux, o mascote do Linux

Este post é direcionado às pessoas que conheceram o Linux recentemente e querem explorá-lo um pouco em suas máquinas. Um site para complementar meu post é este: Why Linux Is Better

Primeiramente: o que é Linux?

Linux é o nome geralmente dado a todos os sistemas operacionais baseados no “núcleo” (que cuida de toda a parte de hardware, é o coração do sistema) GNU/Linux. Muitos chamam erroneamente o Linux de Linux, pois o correto seria GNU/Linux, pois o núcleo só é o que é hoje por causa da contribuição dada pelo Projeto GNU e seu Sistema Operacional GNU.

O Linux (vou escrever assim mesmo) surgiu de um projeto de 1990 de um finlandês chamado Linus Torvalds de tentar “reproduzir” o Sistema Operacional Minix. O projeto deu certo e recebeu ajuda de muitos colaboradores.

O projeto foi liberado alguns anos depois, mas ainda era muito complicado para ser instalado, e por isso muitas pessoas atualmente que ouviram falar do Linux acham que ele continua tão complicado como era antes.

O projeto foi liberado sendo como código aberto e então qualquer um podia ajudar e fazer mudanças no sistema. Ele era gratuito e sob licença GPL.

Começaram a surgir derivações do projeto, e foi aí que começaram as famosas distribuições!

Importante: Linux é apenas o núcleo! Ele não é um Sistema Operacional por si só. Os Sistemas Operacionais são as distribuições, que utilizam o núcleo + S.O. GNU para fazer um sistema próprio!

As distribuições ou distros são todos aqueles sistemas operacionais personalizados que utilizam o núcleo do Linux.

As distribuições mais antigas ainda existentes nasceram em 1992 e são também umas das mais usadas: Slackware Debian.

O Slack surgiu alguns meses antes do Debian, por isso é a distribuição mais antiga ainda existente.

Alguns meses depois das duas surgirem, surgiu outra distro muito importante até hoje no mundo Linux: a Red Hat.

Quais são as diferenças entre cada distribuição Linux?

As maiores diferenças entre as distribuições no Linux são os conjuntos de pacotes utilizados por elas.

O Slackware, por exemplo, é conhecido por ser mais conservador e o meio de instalar pacotes é mais “na raça”.

O Debian é conhecido por utilizar o sistema de baixar pacotes aptitude e também o apt-get. Ele é o “administrador” do sistema, funcionando como instalador, atualizador e removedor de pacotes. Daí surgem os arquivos instaladores que recebem a extensão .deb, que se aproveitam do aptitude para instalar programas.

O Red Hat utiliza um sistema parecido com o aptitude, mas é o chamado yum. Por isso os arquivos instaladores que recebem a extensão .yum são utilizados no Red Hat. Não é possível instalar um pacote .deb numa distribuição Red Hat porque o .deb utiliza o aptitude, mas uma distro Red Hat não possui o aptitude e não é possível instalá-lo, e é uma das principais diferenças entre as distribuições.

Além disso há algumas pastas diferentes e códigos escritos pelos desenvolvedores e algumas aplicações que ajudarão na administração do sistema.

Um exemplo de aplicação especial de um sistema é o YaST da distribuição OpenSUSE. Ele é o administrador do Sistema, e se integra ao yum para instalar programas. É basicamente no YaST que se faz tudo no OpenSUSE.

O sistema é adaptado por quem escreve o código, não é tudo igual, sempre há leves diferenças, mas elas estão um pouco ocultas. O que pode fazer parecer que todas as distribuições são iguais são as interfaces gráficas.

O que são Interfaces Gráficas?

Fiz um post em 2010 sobre isso: leia aqui.

O que são repositórios?

Você pode me ver falando muito de “repositórios” no blog. Repositórios são outros fatores que diferenciam as distribuições. Eles são os pacotes disponíveis para download, disponibilizados pelos próprios desenvolvedores da distribuição. É uma forma mais fácil de encontrar e instalar programas na sua distro. O Debian, por exemplo, possui mais de 29000 pacotes disponíveis em seu repositório e é um dos maiores repositórios do mundo!

Como escolher uma distribuição?

Atualmente as pessoas desenvolvem distribuições para se adaptar aos seus gostos, e disponibilizam na internet. Por isso há um número incerto de distribuições Linux no mundo.

Não há como falar pra você utilizar uma distribuição que eu acho boa e você pode não gostar. É como se distribuição fosse algum tipo de comida, só come quem gosta. Se, por exemplo, eu te desse uma maçã e você não gosta de maçã, você iria rejeitar, não comeria. Comparando com uma distro: se eu te desse um CD com Ubuntu e você não gosta dele, você pode rejeitar, não instalar.

Algumas vezes o que leva uma pessoa gostar de uma distribuição é a estabilidade do Sistema em sua máquina, a facilidade de uso e até mesmo a interface gráfica instalada por padrão.

No Slackware, Arch Linux, entre outras distribuições, você pode escolher a Interface Gráfica e programas a serem instalados na hora da instalação, mas no Ubuntu, Fedora, OpenSUSE etc, você tem uma interface instalada por padrão, além de ter derivações deles com outras interfaces.

Cabe a você decidir a melhor distribuição pra você na tentativa e erro, testando cada distribuição e vendo seus pontos fortes e fracos.

E as distribuições são compatíveis com todos os computadores?

Algumas vezes acontece de uma distribuição não dar suporte direito a um determinado hardware. Depende muito do computador utilizado. As distribuições Linux hoje em dia, com o núcleo na versão 3.x, estão compatíveis com a maioria dos computadores, mas, por exemplo, se você pegar um Linux antigo, ele pode não ser compatível com um computador mais novo.

Vou citar um exemplo: o Ubuntu 10.04 não dá suporte padrão à mesa digitalizadora C3 Tech TB 141 que eu tenho aqui. Eu precisei instalar um driver, mas se você for pegar o Ubuntu 11.10, ele já vem com o suporte à mesa. É possível simplesmente plugar e usar o hardware.

Isso acontece também com algumas impressoras: é só plugar e usar. Não são todas!

Dependendo da distribuição, ela pode não reconhecer sua placa de vídeo, mas outra distribuição pode. Também depende da Interface Gráfica. Tem computador que não consegue rodar o KDE 4, por exemplo, ou o GNOME 3.

É possível instalar um programa do Windows no meu Linux?

Sim e não.

Primeiramente, devemos levar em conta que o Linux é um sistema COMPLETAMENTE diferente do Windows. Com certeza seu código deve ser 100% diferente do Linux, pois são desenvolvidos com bases diferentes! Não é possível rodar um programa Linux no Windows nem um programa Windows no Linux.

MAAAAS!

Existe um projeto muito interessante existente há mais de 15 anos chamado WINE!

O Wine é um programa de código aberto feito justamente para tentar diminuir as barreiras entre Linux/Windows. O que ele faz é simplesmente fantástico: ele pega o programa do Windows e tenta rodá-lo diretamente do Linux, sem precisar do Windows para isso.

Ele faz isso imitando as pastas do Windows, tentando imitar as dlls (imitando mesmo, pois a Microsoft os proibiu de utilizar as dlls do Windows original, então eles tiveram de escrever suas próprias dlls) do Windows para com que o programa pense que está sendo executado no Windows.

Em uma forma mais fácil de explicar: ele traduz a linguagem Windows pra uma linguagem que o Linux possa entender.

Porém, é um programa imperfeito, pois ele não pode utilizar nenhum código do Windows (apesar de que só a Microsoft sabe o código do Windows) e então ele tem que tentar enganar o programa, mas nem sempre dá certo.

Muitos programas não funcionam, há programas que funcionam parcialmente e há programas que funcionam maravilhosamente bem no Wine!

Já fiz diversos posts sobre o Wine no blog, então deem uma olhada neles: clique aqui.

O Wine também funciona nos sistemas BSD e Mac OS X.

Site: www.winehq.org

É indispensável pra quem busca uma compatibilidade com o Windows.

Há jogos para Linux?

Sim!

Bom, apesar de haverem poucos jogos, eles existem. Muitos não estão nos repositórios, mas há um bom número de joguinhos para Linux. Infelizmente, há muitos títulos grandes que só possuem versões para Windows e Mac, como The Sims, Spore, entre outros.

Porém, o Wine é uma alegria! Ele consegue não só executar programas, ele também executa jogos! Counter Strike, World of Warcraft, StarCraft, Final Fantasy XI Online, Guild Wars, Left 4 Dead, Warcraft III, The Elder Scrolls IV, entre muuitos outros jogos, estão na lista de platina Wine, rodando com perfeição.

Fiz um post com apenas poucos jogos para Linux: clique aqui.

Além disso, você pode querer conhecer o GameTree, um “Wine” voltado especialmente para jogos e que roda um bom número deles: clique aqui.

Linux é gratuito?

Depende da distribuição!

Ubuntu, Fedora, Debian, Arch Linux, Slackware, Big Linux, KDuXP, OpenSUSE, Linux Mint etc. são todas distribuições gratuitas! Você pode baixá-las diretamente do site oficial sem pagar absolutamente nada e gravá-las em um CD de 700 MB (que geralmente custa pelo menos R$ 1,00 ou menos) e pronto! Usufruir de tudo o que o Linux te propõe.

Porém, há pessoas que vendem CDs da distribuição e isso não é errado. Na verdade é permitido pela licença GPL sob a qual está a maioria das distribuições. A Canonical, distribuidora do Ubuntu, vende CDs do Ubuntu por £5,00 como forma de levantar dinheiro, de se manter. Além disso eles também vendem camisas e acessórios Ubuntu.

Já o Debian tem vendedores de CDs que cobram pelo menos 12 dólares por 4 DVDs da distribuição.

Apesar de tudo, é completamente permitido você fazer o download do site oficial sem pagar nada, tudo porque esse é o principal objetivo do Linux. A venda não é proibida, pois os desenvolvedores não descartam o dinheiro por nada, já que é inegavelmente preciso para sobreviver.

Já a distribuição Red Hat, sendo uma distro voltada às empresas, cobra por uma versão Desktop ou Servidor, prestando assistência à empresa.

Com isso, esbarramos em mais outro ponto: o suporte.

Muitas vezes as desenvolvedoras cobram pelo suporte oficial à sua distribuição. A Canonical faz isso. Mas você também possui o suporte online gratuito, nos fóruns e comunidades das distribuições.

Mas mesmo assim, é muito melhor pagar no mínimo R$ 10,00 por uma distribuição Linux do que pagar R$ 649,00 pelo Windows.

O Linux tem vírus?

É uma pergunta com respostas meio contraditórias. A verdade é que o Linux possui sim vírus. Maaaaas! Eles são pouco disseminados, já que 90% dos computadores do mundo utilizam Windows, o alvo maior é o sistema da Microsoft e não o Linux.

Além disso há desenvolvedores de vírus para Windows que utilizam o Linux para esse fim.

Mas você pode ficar até tranquilo: O Linux possui um sistema inteligente de permissões que não permite que qualquer programa destrua o seu computador. No máximo, o que um vírus poderia fazer com seu computador é apagar algumas pastas da pasta do seu usuário, mas ele jamais destruiria seu sistema a não ser que você o autorizasse a fazê-lo.

Além disso, por ser de código aberto, o Linux é constantemente olhado por desenvolvedores que procuram falhas de segurança e se encontram uma logo a corrigem e lançam uma correção. É realmente difícil encontrar uma falha.

É possível utilizar o Linux sem um Antivírus instalado sem problemas…

Espero realmente que o post tenha sido útil e que supra as dúvidas da maioria dos iniciantes.

É um post longo, mas acho que vale a pena ler.

Abraços…

4 comentários sobre “Coisas que você deve saber sobre o Linux

  1. Olá! Tenho buscado algumas informações sobre Linux (sou usuário windows desde sempre),e seus posts têm ajudado bastante. Mas ao longo desta pesquisa, surgiu uma dúvida: em geral, as interfaces gráficas são todas satisfatoriamente compatíveis com as diversas distribuições? Muito Obrigado pela atenção e parabéns pelo blog! Abraços.

    • Opa! Obrigado pelo comentário.

      Bom, sim! Todas as interfaces são satisfatoriamente compatíveis com todas as distribuições. Eu nunca vi uma distro que não desse pra instalar outra interface. Muitas distros fazem versões com diversas outras interfaces… O caso do Ubuntu, por exemplo, que tem versões com o KDE, XFCE, GNOME.

      No entanto, até um tempo atrás, o foco da Canonical era apenas o GNOME, no Ubuntu original, então o Kubuntu e o Xubuntu tinha um acabamento um pouco ruim. Isso mudou nos últimos anos porque agora a Canonical não oferece mais apoio financeiro a essas distros, então temos uma distribuição mais estável e robusta baseada em Ubuntu mas com outra interface.

      O Fedora tem um suporte sensacional seja para KDE, GNOME, XFCE, LXDE com versões especiais para cada, o que chamam de “Spins”.

      O OpenSUSE também tem um ótimo suporte a interfaces com versões especiais para elas.

      Não vejo hoje uma distro que não suporte bem uma interface gráfica… Sugiro você mesmo testar e postar o que acha.

  2. Que post sensacional, li tudo tão de boa que nem percebi, Eu recentemente saí do ubuntu para o debian 8 no meu notebook e as coisas são um pouco mais hardcore, até o sudo tive que instalar, mas eu nunca vi uma distribuição rodar tão bem e fluida como essa! você tem algum post falando sobre o debian? sobre dicas e algo do tipo? percebi que tem coisas diferentes (como o sources.list, que aparentemente é uma lista de repositório onde o sistema irá atualizar) e gostaria de aprender um pouco mais.

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